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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

João Pessoa fez plásticas.

       É visível as mudanças que ocorreram na capital Paraibana no decorrer dos últimos 4 anos; praças, hospitais, escolas, mercados, obras de artes, orla marítima, ruas asfaltadas, enfim. Essas obras nunca foram tão evidentes numa cidade cujo perfil era típico de províncias interioranas. Atualmente, percebe-se em João Pessoa, um cenário de uma cidade mais moderna com perspectivas de crescimento.
No entanto, sabemos que todas essas obras são obrigações de qualquer gestão cujas intenções são a de fazer bom uso do dinheiro público em prol de toda população. Não considero mérito de prefeitura A ou B, e sim um dever de fazer tais mudanças na pequena-grande João Pessoa. Por isso, nesse caso, não só reconheço como parabenizo a forma como estão utilizando as verbas públicas. Eis uma estratégia política muito inteligente!
Ao visitar o centro da cidade de João Pessoa, sobretudo à noite, percebe-se um novo marco no cartão postal da cidade: pessoas sentadas nos bancos contemplando uma fonte caríssima, mas que se tornou barata em relação ao efeito estético que proporcionou à cidade. A Lagoa ficou tão agradável que em vez de superlotar a praia de Tambaú na festa da virada do ano, deveriam ramificar as atrações festivas para pontos tão bonitos como ficou o Parque Solón de Lucena, por exemplo. Evitaria a sobrecarga na praia e excesso de trânsito. Fecho os olhos e imagino fogos de artifício, surgindo de dentro da lagoa como coadjuvantes de um chafariz tão belo e iluminado, para comemorar a chegada do ano novo.
Como sempre, sabemos que criticar parte de dois princípios básicos: ver os aspectos negativos e/ou positivos. Então, nesse sentido, vejo que determinadas obras de arte espalhadas pela cidade surgiram com o intuito de proporcionar não só o acesso à cultura local, mas sobretudo o de embelezar a cidade. Algumas, como a do girador do Altiplano, encaixaram-se perfeitamente, tanto no aspecto artístico, significativo e estético, pois ornamentou bem a entrada dos bairros.
Outros feitios porém, soaram negativamente, no sentido de atrapalhar a visão do mar; é o caso do monumento vermelho situado em frente ao Bahamas; seria o mesmo efeito se construíssem uma casa belíssima em frente a estátua do busto de Tamandaré. Que fique bem claro: não falo da obra de arte em si, que é indiscutível e tem um significado relevante (arte foi feita para admirar e não pra discutir), porém, penso no impedimento que ela causou a uma vista tão maravilhosa como era àquela que víamos quando descíamos a Av. Rui Carneiro. Ela ficaria linda se fosse adaptada no último girador do Cabo Branco, que dá acesso à subida da Ponta do Seixas.
Grosso modo, quero partilhar a alegria de poder passear por aí, ver a cidade crescer não só no aspecto urbano, mas sobretudo, nas ideias que vem das novas concepções políticas que tornarão João Pessoa uma cidade bem melhor tanto para mim quanto para você, meu querido leitor.
Como diria Vinícius de Moraes: “ Beleza é fundamental” (nesse aspecto).
Andressa Fabião

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Subentendido

Nas idas e vindas da vida
o vento trouxe
um ponto,
ponto de partida.

Nas inquietações de eros
o vento trouxe um 
rabisco,
nas curvas de uma estrada.

Dos feromônios
o vento trouxe
um anônimo,
que do ermo se fez íntimo

Nas pontas dos dedos 
o vento trouxe
o tato
o toque
o tino.

Através do pensar
o vento trouxe 
uma poesia
para sublimar o desejo.

E dos desejos
o vento trouxe
um cheiro,
feito de vinho.

Nas incandescências dos brilhos
o vento trouxe 
a lembrança
de um olhar feito de por do sol.

Dos arredores do sorriso
o vento trouxe
a paz
que traduz o implícito.

Das minúcias
o vento trouxe
um traço
dois passos
meio esboço
que em full hd definiu a imagem dessa pessoa tão inesquecida.

Desirèe Andressa Fabião

PS: special words for an biggest architect that I knew.













terça-feira, 30 de novembro de 2010

VERSO E PROSA


Músicas
dezenas de outras músicas eu cantaria pra você
versos
milhares de palavras,
em verso e prosa pra dizer
que tudo é tão incerto
amigos sempre perto fica mais fácil
nascendo e morrendo, nosso amor crescendo...
Mágico
místico raiar do sol
que é pai da luz que brilha em você
natural
amor demais, um leva-e-traz de dor, eterno
e nada pode desfazer
se tudo é complicado, amigos lado a lado
fica mais fácil
nascendo e morrendo, nosso amor crescendo
e isso não passará...

Nem que cessassem todos os telefonemas
e esquecêssemos todos os poemas
ficassem mudos todos os fonemas
mesmo que não fôssemos ao cinema
e se amar também não mais valesse a pena
ainda assim haveria um jeito
de expressar o meu carinho por você

(Ricardo Fabião)

A letra dessa música é fantástica, por isso quero fazer uma homenagem à inteligência, à criatividade e à precisão com a qual Ricardo Fabião se utilizou das palavras para definir a necessidade que nós temos de demonstrar ao outro carinho, mesmo com todos os problemas inevitáveis de uma relação a dois.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ensaio sobre a cegueira ou Hospital Edson Ramalho?


Ao visitar o hospital Edson Ramalho, imediatamente meus neurônios remeteram ao prêmio Nobel concedido ao livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. A quantidade de pessoas que "cegavam", e se entulhavam naquele hospital em busca de um medicamento ou atendimento médico, era exorbitante.
Recepcionistas, médicos, enfermeiros pareciam voluntários que surgiram do inferno para piorar a situação do seres humanos doentes que ali estavam. O despreparo, a má vontade, a cara feia e a ignorância eram ferramentas que ornamentavam as almas daqueles profissionais. Olhei para o corredor e vi de perto o caso de um jovem que estava prestes a desmaiar pedindo socorro aos pseudos profissionais, que juraram “honra ao mérito” de sua profissão. Fizeram vista grossa, até o momento em que esse jovem de camisa preta, num desmaio, caiu por cima de outros tantos mil enfermos que ali presenciavam a desagradável cena, foi nesse momento que os enfermeiros entenderam que havia necessidade de socorrê-lo. A resposta  do doente surgiu orgânica e desesperadamente através de um vômito vindo da alma que parecia arrancar-lhe a garganta com restos de comida espalhados pelo chão.
No corredor da emergência, pessoas empilhadas faziam parte de um “auto-atendimento”, cada um que procurasse seu medicamento, que esticasse seu  braço para ser furado pela siringa e conseguir fazer seu hemograma; o pior de tudo era que cada paciente tinha de arranjar com a enfermeira, um adesivo para identificá-lo no frasquinho de sangue para não misturar seu sangue com o dos outros.
 Mal estar, tornou-se apenas um pequeno detalhe frente à imundice e o descuido que se tornou aquele corredor quase da morte. Nesse momento, pude chorar com um profundo aperto no peito, e chorei. Observei de perto o inferno que ali se instalara, logo percebi que a cartilha escrita, em 1948 pela ONU, que fundamenta todos os Direitos Humanos não passava de anedotas de mal gosto. Chorei novamente, e dei graças a Deus por ter “cegado” naquele momento; por não conseguir enxergar mais as atrocidades cometidas por cada indivíduo fantasiado de jaleco. Chorei ao perceber que a saúde do ser humano não é nada mediante àqueles médicos brancos, cheirosos e estúpidos.
A cegueira tão bem definida por Saramago saiu de uma possível ficção e tornou-se a mais verossímil realidade aqui bem pertinho de nós. Foi uma crítica muito precisa que definiu bem a realidade que nos encontramos. Cegamos para muitas situações das nossas vidas e não queremos mais voltar a enxergar o outro com os olhos da ética, da alteridade. Isso me fez pensar, como dizia Saramago em sua obra, que nós, enquanto seres “civilizadodos”, não somos constituídos apenas de bondade. Somos providos de maldade também, e para demonstrar isso, basta entrarmos num estado de calamidade para encorporarmos a corrupção e a incivilidade e nos encontramos num estado primitivo igual ao dos nossos antepassados.
É mister que este e outros hospitais paraibanos desenvolvam junto à nova secretaria de saúde do Estado e outros órgão responsáveis, uma pedagogia mais humana, mais técnica, mais eficiente para que os profissionais da saúde trabalhem com motivação em detrimento da saúde alheia; para que  garantam os preceitos básicos, como a saúde, que estão escritos claramente na nossa velha e tão atual Constituição Brasileira. Se faz necessário voltar os olhos para si mesmo e perceber o quão carecemos de atitudes incisivas, que determinem o bem estar para todos. Além disso, é preciso dar um “F5” e atualizar as pessoas que estão nesse ramo da saúde, tão delicado e essencial à humanidade.

Desirèe Andressa Fabião

sábado, 18 de setembro de 2010

O trânsito e a gentileza.




         Certa manhã, houve um transtorno no trânsito, pelas mediações do Centro administrativo municipal de João Pessoa. “Que trânsito horrível!”, dizia um urubu apressado, que voltava do trabalho para casa, no final da tarde. 
          É muito congestionamento, devido ao mal planejamento do tráfego, e à quantidade exorbitante de carros que há na capital pessoense (a sensação é a de que há mais carros do que condutores no trânsito; a coisa é tão séria, que vez ou outra, encontra-se algum automóvel andando por aí sozinho.).
             Somando-se a estes problemas citados acima, há as (des)cargas emocionais nas quais estão presentes em cada motorista que dirige seu veículo seja uno, pálio, ka, gol, cívic, fusca, bmw, brasília,... jegue... motos, bicicletas. Não importa, há presença do mal vindo stress!
             O fato é que o condutor tornou-se uma soma de desequilíbrios, de stress, de pressa, de preocupação, de ansiedade entre outros. Então, “a melhor saída” para alguns desestressarem, nesses momentos, é dar porrada na buzina como se fosse no condutor da frente. Aí está o concerto de buzinas, repugnado por Beethoven, pois há tantas buzinas desafinadas! A intenção é lógica: a de irritar, e se for o caso, esquartejar o carro dianteiro porque “ele não andaaaa”! Como a visão de quem está atrás é um pouco limitada, o condutor que se encontra atrás e apressado, fica impaciente e perde a noção de que o carro da frente está tão imóvel e esperando quanto ele! Por enquanto, ainda não inventaram asas para carro!
            Então, arriscar-se a dirigir, a fazer parte do planeta trânsito, são para aqueles que tem habilidade de lidar com o diverso, ou seja, quem tem paciência de enfrentar antas, lesmas, loucos, estressados, violentos, estúpidos, sociopatas, etc. A estas pessoas, dar-se -ão o nome de virtuosa e inteligente, emocionalmente, falando. Quem disse que ter um carro é somente sinônimo de luxo, de antistress, de facilidade e rapidez? Isso foi na época que Henry Ford! Pensar que ter carro era sinônimo de ascensão e prestígio social, apenas.
           Atualmente, alguns dizem que carro não é luxo, é necessidade, há de se concordar em parte, pois sabendo que atrelada às essas necessidades, vem o implícito: dores de cabeça, esgotamento, exaustão, cansaço, doenças, colisões... Comprar um carro implica enfrentar obstáculos, tanto das inúmeras parcelas, do seguro, do emplacamento; quanto do relacionamento que seu carro deverá ter ao compartilhar as mesmas vias com outros tantos mil. Isso requer muita paciência, tem quem passar pelo menos, uma semana no Tibet, com o Dalai Lama, além de passar as férias no Detran.
          Apesar de tantos congestionamentos enfrentados, tantas células cancerígenas ( que podemos desenvolver ao eliminar nossas toxinas), devido a esse stress, aqui jaz uma solução: assim como os ônibus trazem no alto informações eletrônicas piscantes tais quais; o local a que se destina, o itinerário e sua numeração, foi criada uma lei, no código internacional da utopia rodoviária, que, a partir de hoje, exige a presença de um painel eletrônico com mensagens de gentileza (“sorria você está vivo, por isso está dirigindo”; “ desculpe-me eu não posso ultrapassá-los”; “ eu também estou no mesmo engarrafamento que você, vamos escutar músicas?!”; “você é especial para alguém, pare de reclamar!”; “ não se estresse, a vida e bela!”; “ o trânsito vai melhorar, tenha paciência!”;“ o vizinho precisa de um sorriso seu!”...).Lembrando que essas mensagens são pré-programadas pelo Denatran, Contran, Detran, Sttrans, Cptran e PRF. Então, não há possibilidade de surgir no painel um “vá se f...” e nem propagandas que proporcionem poluição visual.
          Frases como essas supracitadas, têm o objetivo de amenizar a agonia de cada condutor ao se encontrar numa situação-limite. Também tornou-se obrigatória a apresentação de slides, no vidro do porta-malas, com imagens de reflexão, que acalmem e transmitam paz para o condutor alheio. Além de buzinas que digam “ com licença, por favor!”; “obrigada (o)”; “ Seja cuidadoso, ande devagar”. Essa é a mais eficiente psicologia aliada à tecnologia, feita para automóveis e para condutores, presente nos últimos anos! Para que tudo isso aconteça é necessário adaptar um computador de bordo em todos os veículos, inclusive jegues, bicicletas e motos; não se preocupem com gastos: claro que esse aparelho será doado pelo governo! Estamos em época de eleições, aproveitem e peguem os seus!
           Já que equipamos nossos carros com tantas parafernalhas: fumê, sensor de ré, sensor de peido, som, auto-falantes, rodas, teto-solar, geladeira, dvd, microodas, banheiro, etc. Que tal adaptamos no vidro traseiro um telão de informações positivas para outrem? O meu carro, enquanto “cidadão sociável”, já fez a parte dele: transmitir gentilezas, sorrisos, mesmo sabendo que “ a vez era minha, já que eu estava contornando o girador”.

Andressa Fabião

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Para uma universidade greco-paraibana


No século V a.C, na Paraíba antiga, nas mediações do Parque Solon de Lucena com o Rio Sanhauá, havia uma universidade, a Paraídea, que tinha como maior objetivo formar políticos paraibanos. Era uma instituição cujo interesse era despertá-los para uma educação que desenvolvesse integralmente o indivíduo em todas as suas virtudes, pois quanto mais ocupada a mente e cansaço físico, menos tempo tinham para transgredir - a corrupção é tão antiga quanto a Pangea.
A grade curricular da Paraídea estava voltada para uma educação conscientizante, ou seja, uma educação onde os políticos pagavam disciplinas que envolviam um conhecimento profundo sobre a gestão pública e suas dimensões.
As cadeiras pagas por eles eram chamadas: Ética I II, III, IV, V, VI, VII, VIII, IX e X (ministrada por um professor, conhecido como “Edson Bildung”), pois para as intenções do Projeto Político Pedagógico da universidade, era necessário que eles conhecessem a dinâmica da alteridade. Nessas disciplinas havia rigidez nas avaliações: os alunos que não obtivessem aproveitamento máximo em cada exame escrito estava fora, não poderia ocupar o cargo, pois política, para aquela nação, tinha sinônimo de seriedade, compromisso e muito estudo. Outra disciplina que aprendiam era Retórica Popular I, II,III e IV, ministrada pelo professor Zé Sócrates, considerado um “monstro” da educação popular. Eles aprendiam a argumentar em favor dos direitos e deveres do povo. O sistema de avaliação era o mesmo: prova escrita, prática e depois a defesa de uma tese.
Além disso, tinha Música, uma cadeira que fazia parte do currículo, pois era necessário que os políticos tivessem sensibilidade aguçada, ouvido absoluto, para entender o ser humano e seu meio. Eram obrigados a dominar um instrumento, pois a arte demonstrava o lado poético, subjetivo, do estudante, sendo um pré-requisito fundamental.
Aprendiam sobre cidadania, sobre as leis que regem o estado, epistemologia da política, filosofia geral e da política, compreendiam o que era o poder, entre outros fundamentos. Nessa universidade, havia um seminário temático que tinha o objetivo de fazer uma transdisciplinaridade e cabia aos professores preparar esse evento para avaliar o que os discentes haviam aprendido e construído nas disciplinas; o povo fazia parte desses debates.
Havia uma disciplina muito curiosa e ao mesmo tempo relevante: crime e castigo I, II,III, ministrada por um professor muito rígido conhecido como “O Espartano; nela, os alunos passavam por uma simulação de penalidade, onde eram submetidos a terem que ficar numa cela, com pouca água, comida. Nesse momento, eles tinham desde já, noção de pena, caso fosse descoberto, em sua gestão, alguma ilegalidade.
A Paraíba, no século IV a.C., vivenciou um momento de apogeu no âmbito político. Os cidadãos eram compreendidos, envolvidos com a política, pois ali, em época de eleições, ir a um debate político em praça pública, era considerado entretenimento. Os políticos tinham procedência, tinham habilidades e inteligências desenvolvidas, sabiam fazer projetos e discursos sem ajuda de assessores, tinham uma boa retórica, criatividade para mostrar suas ações vindouras.
Era uma dificuldade para os paraibanos antigos escolherem um candidato, pois todos eram bons e tinham propriedade no assunto e credibilidade legítima. Nessa época, não se ouvia falar em palavrões como: nepotismo, ficha limpa, manchada ou suja. E também, não havia obrigatoriedade para votar, uma vez conscientes, sabiam que suas participações eram importantes enquanto cidadãos, afinal aquilo que existia na Paraíba antiga era uma Real Democracia e não um sistema fantasiado de ditadura.
Como todo império é passível de queda, o sistema universitário perdurou apenas por alguns anos, porque à medida que passavam os governos, cada um reformulava o currículo da universidade, já que ele era aberto, passível de mudanças. Isso enfraqueceu à antiga universidade, e com o passar de longos anos, não era mais exigido o curso superior de Gestão Pública para entrar no poder. Foi quando o conceito de política começou a ser modificado para um mais maleável, que atendesse não só aos interesses dos políticos, mas de todos que fossem de um mesmo grupo.

Hoje, na Paraíba moderna, “revolucionada” muitos não fizeram nem supletivo para compreender a política, poucos tem formação superior em Gestão Pública. É lamentável a realidade que nos encontramos agora, pois a cada horário político que passa tenho a convicção de que somos plateia de um circo cheio de palhaços sem graça. Não há prazer nenhum em ouvir o que eles têm a dizer, porque não me dizem nada, nem se quer convencem.
Dizem num dito popular que “nós estamos entregues às baratas”, eu digo que estamos entregues aos políticos.

Andressa Fabião

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Um jeito 20 de dezembro de ser.

O signo de Sagitário inicia em 22 de novembro e termina em 22 de dezembro. É um signo positivo, mutável, de Fogo e governado pelo planeta Júpiter. Sendo um signo masculino e duplo, tem um conflito entre as suas duas metades, a primeira humana e a segunda animal.
O nativo deste signo é expansivo, e… espaçoso! Ama os países estrangeiros, as grandes viagens, as aventuras e as coisas extravagantes e aprecia a vida saudável, a dança e os esportes ao ar livre; entre estes privilegia os cavalos e os esportes de grande velocidade.
Tem atração pelas religiões e filosofias, especialmente orientais, e também pelas coisas da lei e da justiça. São excelentes diplomatas e juristas, e também podem seguir a carreira religiosa.
Adora o comercio exterior e a navegação intercontinental, tudo para ele é grande: o Sagitariano não pensa pequeno. Ser de grandes idéias, imagina-se o próprio Júpiter reinando no Olimpo, e por esta razão acha que tudo lhe é permitido, tornando-o as vezes excessivamente generoso e um pouco "folgado" Sendo um pouco aventureiro é também algo infiel!
Tem qualidades de adaptabilidade, vitalidade e entusiasmo, um excessivo otimismo. Possui também uma grande sabedoria, intuição e mesmo o dom de profecia. Gosta de fazer pregações e ensinar.
Entre seus defeitos existe uma certa imprudência, o gosto pelo risco e pelo jogo, o gosto pela aventura e a consciência "elástica", que ele usa para se desculpar de todas suas atitudes. Sendo excessivamente idealista e otimista, não avalia bem o lado prático de suas ações, se decepcionando em seguida e por isso precisa de encorajamento muito mais do que ele deixa transparecer.
O ponto fraco em seu organismo são as coxas e as nádegas e ancas.

Sagitário e o Amor:
Sendo um bom amigo, pois sente prazer em ouvir e ser ouvido. Quando se apaixonam, podem entrar com bastante entusiasmo nas relações, mas por outro lado, serão bastante livres e independentes para buscar um outro amor ‘um pouco mais longe". A grama do vizinho é sempre mais verde! Cuidado para não se engajar em vários relacionamentos, já que não suporta o tédio sexual. Um relacionamento é total e completo quando há também … uma certa fidelidade, não é?
Dificilmente permitirá porém, que o casamento o monopolize, já que suas necessidades intensas parecem incompatíveis com um relacionamento estável e duradouro. Deve partir por uma relação aberta, onde ambos os parceiros busquem completar o outro, sem monopolizá-lo.

Sagitário e a Casa:
Qual a casa ideal para um sagitariano? Um avião, ou até um navio!!! Sim, porque o nato sob o signo de Sagitário, não para muito tempo num só lugar. Ele está sempre "entre duas partidas". Sua casa está repleta de lembranças do seu passado, mas está sempre pronto para receber aquelas do futuro. "O mundo é tão vasto" parece dizer cada objeto. Uma foto de seu cavalo preferido, lembra ao Sagitariano que a aventura é um esporte aristocrático.... Ao mesmo tempo senhor e vagabundo, este nato sabe tornar mais nobre a decoração de sua vida, mesmo preservando sua liberdade. Muitos objetos étnicos, de países distantes, o lembrarão de deixar uma mala sempre pronta.
E o quarto do Sagitariano como será? É quase como um hall de entrada para os seus sonhos, que o levam para as suas viagens longínquas, para suas aventuras. As cores são fortes, as madeiras nobres, que lembrem as areias douradas do deserto, ou as florestas verdejantes. O conforto é primordial e a cama, esta deve ser ….imensa!


sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Política paraibana: caleidoscópio “sem lógica”.

Nunca me atrevi a escrever sobre política, porque tenho minhas concepções bem denotativas acerca do assunto. Vejo que o conceito de política assumiu um outro significado, quando observo as intenções e os ideais dos políticos. Nenhuma teoria se aplica à prática, logo não há ações que transformem o atual paradigma político.


Ao ler uma matéria de um jornal, fiquei abismada com a suruba de informações que li sobre o atual cenário da política paraibana. Fiquei inquieta demais, o que me levou a refletir e escrever sobre um assunto tão pertinente, embora mal compreendido pelas pessoas que se dizem do meio.

Não é difícil para mim e para muitos, como manda o clichê do clichê, desenhar a essência de um político brasileiro: desonesto, malandro, ladrão, assistencialista, em suma, corrupto. Pouquíssimos são aqueles que não possuem essas características.

Agora, nunca ouvi falar, tão explicitamente, que a tal da corrupção fosse tão esclarecida a ponto de se estender para as relações interpessoais entre grupos de uma mesma ideologia - é como a essência de um escorpião: se for o caso meu veneno serve para mim e para ti, tanto faz. Hoje, não se usa mais inteligência para fazer política, pode-se ter até a mãe como adversária política!Vejo, a partir de uma análise bem modesta, que os malabarismos são feitos de maneira súbita e escabrosa para tentar conquistar o poder e a autoafirmação às custas da inocência alheia. Parodiando Fernando Pessoa, “ Tudo vale à pena quando a grana não é pequena”. Isso vem revelando a incapacidade de reflexão dos manipuladores e manipulados. Jamais essas atitudes vão conferir governabilidade para ninguém, e nem garantirá a satisfação que povo quer ter. Dentadura? Tijolos? Cimentos? Isso é coisa do século XIX. A moda agora é conferir bem estar até quando o mandato terminar, seja numa vaga em um gabinete, ou um plano de saúde.

Foram vários episódios do atual cenário político que “amadureci” e percebi que a política daqui acontece quando o arco-íris desemboca no seu quintal, prometendo achar as tão sonhadas minas de ouro, que pertencem ao povo.

A política paraibana está tão fragilizada, assemelhando-se a um “caleidoscópio sem lógica”, girado por qualquer um e para qualquer lado, proporcionando sempre uma situação de interesses desequilibrados. A sensação é a de que há um caos: em quem eu posso votar? Quem é quem? Quem fez o quê? Quem vai ser inelegível? Quem é elegível? Até certo ponto, é compreensível a desordem, quando há vontade de organizar algo. Porém, sabemos que tudo isso não deixa de ser uma questão de politiquismo, de afronta, de ganância e de egoísmo, entre concepções, nada está voltado para o sentido verdadeiro de evolução. Acho uma pena porque meu voto ainda permanece em branco!

A concepção de ética, de alteridade, e a ideia de organizar o estado para o povo, já foram esquecidas há muito tempo! Agora é a vez do partido “dos poderes de greiscon”, do “eu”, do “quem pode mais” bem a cara dos absolutistas. Virou um meio de vida! E o pior é que tem uns que pensam que ainda estão na época das capitanias hereditárias que passavam o governo de pai para filho, ou de tio para sobrinho...

Como um aluno que apresenta dúvidas no meio da aula, tenho um questionamento: A política seria uma espécie de produto num leilão? “ quem der o lance mais alto leva o aliado, seja ele de oposição ou situação, tenha ele ideologia ou não”. (Aprendi com vovó um conceito de lealdade muito diferente e não abro mão de substituí-lo por outro!). Interessante é a união e a consistência nas relações políticas, isso sim chama atenção.

A Paraíba perde por conquistar a superficialidade, pois esqueceram o que seria uma verdadeira política, como afirmava o nosso velho Rui Barbosa:

“ A política afina o espírito humano, educa os povos no conhecimento de si mesmos, desenvolve nos indivíduos a atividade, a coragem, a nobreza, a previsão, a energia; cria, eleva o merecimento. Não é esse jogo da intriga, da inveja e da incapacidade, a que entre nós se deu a alcunha de politicagem … Política é a arte de gerir o Estado, segundo princípios definidos, regras morais, leis escritas ou tradições respeitáveis. A politicalha é a indústria de explorar o benefício de interesses pessoais...”

Apesar de saber pouco sobre o assunto, uma coisa é nítida: A política da Paraíba foi construída num terreno instável, poluído e baldio, no qual todo político que passou pela máquina, despejou seu lixo; hoje vejo um lixão do Roger, quando se trata de política.

No mais, espero que tudo isso seja apenas um pesadelo e que no outro dia eu possa acordar certa de que as próximas gerações não farão tanta vergonha ao pensarem em compor uma simples equipe para nos representar; que eles possam ter em mãos a máquina da integridade, do repeito ao outro, da honestidade e o verdadeiro compromisso com o povo. E torço para que o cenário se organize, porque eu ,no dia das eleições, quero digitar algum número que substitua o meu atual voto em branco.



Andressa Fabião

sábado, 17 de julho de 2010

A menina dos sapatos coloridos

A felicidade para ela tinha um sinônimo: a cor pink-cheguei.        

As horas partiram e correram pelos calafrios que abraçaram a espinha dorsal de um ser inerte, algo dentro dela já previa quem vinha lhe visitar. O tic-tac avisou que a tristeza ia chegar nada a fazer por enquanto, apenas recebê-la com um banquete de pensamentos frustrados e alguns dissabores. O sorriso se fez ausente, a lágrima surgiu tanto quanto a chuva e, a menina, dos sapatos “azul-royal”, acreditava que essa seria sua sina: esperar por algo que não vinha.
Não aguentou as oscilações das tonalidades de cinzas que passeavam pelas nuvens opacas do seu quarto. Então, correu para a estante de livros, que já havia lido apenas com o olfato, captando o cheiro de novas ideias, porém descartou-os imediatamente, pois ela sabia que essa relação de leitura precisava das cores vibrantes e das sinceridades do seu pensamento.
Sete horas da noite, e nada de sua expectativa ser acalentada. Um tal de “escuro noturno” estava ensaiando no espelho uma fala, para informá-la que o vazio tinha acabado de estacionar o carro em sua porta.
A moça, dos sapatos “azul-orkut”, voltou para dentro de si e encontrou um eco no qual a voz da esperança parecia desafinar no último som de dó menor. Recebeu o vazio em sua casa, e tentou desapontá-lo ao ceder espaço para o negativismo; volveu-se novamente para sua estante de livros  desarrumada, e escolheu uma obra de bolso antiga, que se fez presente em sua adolescência: “ Eu e outras poesias”, de Augusto dos Anjos, ao tocá-la, sentiu que as agruras sentimentais de sua juventude havia voltado, reafirmando seu velho sentimento, e ao abrir o livro encontrou uma poesia intitulada de Solitário que a identificou por completo, com um trecho que estava escrito assim:
“ Como um fantasma que se refugia na solidão da natureza morta/Por trás dos ermos túmulos, um dia, eu fui refugiar-me a tua porta/ Fazia frio e o frio que fazia não era esse que a carne conforta... Cortava assim como em carniçaria o aço das facas incisivas corta...”.
Para a menina do short azul-pálido, aquele soneto caiu como a sorte de encontrar algo perdido, maximizando o que já lhe parecia óbvio: a solidão e o vazio.
O telefone tocou pouco tempo depois, e a expectativa dela reascendeu como um neon convulsivo, parecendo uma consumista numa loja em promoção. “Quem será?”, perguntou algum curioso feliz dentro dela.
A voz parecia cálida tentando justificar-se ao telefone, cada palavra proferida vinda do outro lado do fio era a firmação do devir, e aquilo acalentava, apenas pela metade, o coração cinza e desproporcional que ela havia desenhado dentro de si. O ouvido alheio sentiu que o músculo responsável pelos batimentos pulsava duvidosamente ao desligar.
Ela decidiu trocar os sapatos azuis por um negro que representava sua decisão e sua direção. Incerta do que queria, foi buscar nas palavras uma resposta para seu novo rumo, ela queria imediatamente outro sentido para sua vida.
Encontrando-se nas consoantes e nas entrelinhas dos textos, teve múltiplos orgasmos ao conseguir construir uma poesia sobre a alegria, um sentimento tão avesso ao que existia dentro do seu eu.
Segundos depois, o telefone desesperado retornou a tocar. Ela, risonha e feliz com o resultado da sua verve literária, recebeu dos deuses uma transfusão de satisfação, ao perceber que a tristeza havia perdido lugar na sua alma de artista, nem percebeu que o telefone estava gritando novamente, pois ela havia desistido de esperar, “optando pelo simples”, como diria um amigo poeta.
 Alcançando o último toque do aparelho, ela arrancou o fone do gancho e recebeu de uma voz, meio “willian boneana”, a informação de que um caminhão de felicidade eterna havia dado “luz alta” e que estava buzinando freneticamente ansioso para entrar pelo portão de sua garagem.
Correndo descalça e desastrosamente para receber mais uma visita, calçou seus sapatos “pink-cheguei”, e recebeu sua tão esperada convidada: a felicidade, e, percebeu que ali não tinha mais uma mulher vazia, pálida. Mas, determinou que ali estava uma pessoa preenchida de denotações, paroxítonas, hiatos, fonemas, monossílabas,conotações, aspas, reticências, adjetivos, apostos, antônimos, parágrafos, pois tudo isso eram ferramentas que faziam dela, um texto colorido, feliz e inacabado. Além disso, havia apenas um predicado que expressava um verbo de ação, indicando que sua felicidade tinha subido para o norte e não habitava mais no sul.
E pensou consigo mesma: qual a cor dos sapatos que devo usar amanhã para receber a melhor amiga da felicidade?

sábado, 26 de junho de 2010

TEMPO


TEMPO
TEMPO
TEMP
TEMP
TEM
TEM
TE
TE
T
T
T
TE
TE
TEM
TEM
TEMP
TEMP
TEMPO
TEMPO
Andressa Fabiao

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Com que língua eu vou?


Esse artigo não tem o objetivo de defender uma língua portuguesa pautada apenas nas regras gramaticais e nem tampouco desprezá-las. Tem a finalidade de refletirmos até que ponto a norma padrão é considerada como uma ferramenta da escrita em nosso dia-a-dia e em que aspecto ela é descabida.

Assim como a ocasião determina o modo de vestirmos determinada roupa, a nossa linguagem também necessita de algumas “vestimentas” para se adequar à situação “comunicacional”*. Ora, se vou à praia, uso biquíni/maiô, se a um casamento, uso uma roupa fina, se ao mercado da Torre, short, argolas e sandálias havaianas.
Desse mesmo modo, a linguagem falada ou escrita segue essa linha de raciocínio: a adequação.
Por exemplo: não dá para chegar em uma padaria e soltar a mais ortodoxa frase: “Dê- me 2 reais de pães franceses.” Isso soaria como uma expressão típica daqueles que têm necessidade de expor seus conhecimentos formais. O padeiro, certamente, ficará com receio de responder, com medo de se pronunciar incorretamente, e você corre o risco de não ser bem interpretado.
Oswaldo de Andrade, poeta brasileiro, já debochava desse abuso formal, num verso famosíssimo de um de seus poemas, “Pronominais”:
“Dê-me um cigarro, diz a gramática do professor e do aluno...” Ao final do poema, ele rebate criticamente: "... Mas o bom negro e o bom branco da nação brasileira dizem todos os dias: Deixa disso camarada, me dá um cigarro.”
Eis uma regra da gramática: colocação pronominal, ou seja, onde o pronome oblíquo deve ser grafado “corretamente”. Ninguém fala “ler-te-ei no site ParlamentoPb”.
O português brasileiro, dificilmente, respeita essa particularidade da língua formal: muito pouco usada na escrita, e nenhum uso na fala. Mas, insistimos em segui-la por um simples capricho do padrão. Aplausos para os dominantes, para os prosadores antigos, trovadores, filósofos tradicionais, retóricos e literatos arcaicos!
Atualmente, o nosso mérito, enquanto falantes da Língua Portuguesa, equivale à compreensão e domínio das variantes lingüísticas, tanto da linguagem oral, como da escrita; ou seja, usá-las equilibradamente. Evanildo Bechara, grande referência linguístico-gramatical do Brasil, disse “É preciso ser poliglota do seu próprio idioma”; expondo claramente sua defesa pelo uso adequado das variantes linguísticas.
As leis determinadas pela gramática são exigidas em algumas situações da escrita, diferentemente das situações de informalidade, que requerem uma linguagem mais objetiva, que facilite a comunicação entre os usuários da língua, como ocorre no internetês e nas mensagens eletrônicas, entre outros recursos modernos. Absurdo? E o que podemos dizer, então, daquela estranha linguagem utilizada nos antigos telegramas? Enfim, eram utilizados também por “gramatiqueiros”, esses que tanto defendem a ditadura gramatical. É necessário que aprendamos essas regras, sim, para escrevermos um oficio, um artigo de opinião, um discurso político, uma carta formal, etc., mas não devemos ser reféns desses manuais preestabelecidos e fechados. A linguagem é um sistema aberto, dinâmico, onde todos os dias surgem os neologismos, novas gírias, novos códigos e signos.
Marcos Bagno - grande linguista brasileiro – considera, em dimensões, a linguagem como um vasto deserto, e a gramática como um pequeno oásis.
Então, por que devemos considerar as marcas linguísticas formais como sendo as únicas corretas e que merecem prestigio?
Afinal, quem surgiu primeiro, a linguagem humana ou a gramática?
O nóis vai é uma expressão oralmente correta, se considerarmos “as regras gramaticais” dos sertões da vida, por isso devemos respeitar o modo de falar brasileiro, pois nesse país existem muitos dialetos espalhados, cujo objetivo é nos levar a um único lugar; ao entendimento das coisas, a partir de um fundamento humano: a comunicação.

*neologismo criado especialmente para o texto.

O lado oculto da sala de aula

Em sala de aula fiz uma atividade cujo objetivo foi o de conhecer, a partir da autobiografia, os outros universos pelos quais habitam meus alunos, e, obviamente, aproximar-me deles.
Fui objetiva ao elaborar o enunciado da questão: “Produza um texto no qual você narre sua história de vida. Lembrem-se: esse gênero textual (autobiografia) exige o uso da norma padrão.” Entreguei-lhes as folhas de redação, e revisei a estrutura do texto para que eles pudessem refrescar a memória.
Tempos depois, um silêncio absoluto passou a reger os resmungos do ar condicionado. Cada um que voltasse os olhos para dentro de si com intuito de resgatar, no seu íntimo, seus momentos de vida. De repente, como diria o velho e bom Machado de Assis, a pena da galhofa ou da tristeza começara a agir. Borracha vai-e-vem, pinceladas de corretivo para cá, para lá, expressões faciais questionadoras de si mesmas e uns ruídos de lápis grafite que, ora dançava um miudinho, ora dançava um tango.
Primeira redação concluída. Olhei-a, li, reli, retirei as prolixidades, ambiguidades, erros ortográficos, etc.
Quando um primeiro aluno entrega o exercício, parece que os outros não querem “perder a corrida”, pois quanto mais rápido, mais eficiente parece ser a caneta! Próxima redação: mesma rotina; mais outra, idem... enfim. Fui tomar um cafezinho para degustar cada vida exposta no papel. Retornei ao pacote de redações, e sorteei mais uma para minha avaliação.Fitei-a. Estava escrito:

“ Meu nome é B. , tenho10 anos. Sou uma pessoa não muito feliz, pois algo muito forte marcou minha vida. Hoje, moro com minha tia, graças a ela, posso estudar nesta escola. Cuido dos meus primos e dos meus irmãos, às vezes, estudo quando tem tarefa para fazer.
Mas, o que eu queria dizer aqui nessa redação é que eu não tenho mãe, e sou triste por isso. Quando eu era menor, vi meu pai assassinando minha mãe, porque ela não queria mais ficar com ele, vi muitas brigas dos dois e a gente chorava muito. Foi difícil para mim, até hoje penso nela (...). Hoje moro com minha tia e sou feliz por ela ter nos acolhido. (...) Penso que se minha mãe tivesse viva eu seria a filha que mais ama a mãe no mundo (...).

Aquilo soou como um desafino para as batidas do meu coração. Fiquei com um gosto amargo na boca e algumas lágrimas descontroladas surgiram. Disfarcei. Olhei para a autora do texto e percebi que o brilho de seus olhos eram duvidosos de fato.
A ética profissional, a didática, as atividades formais, tudo o que aprendi foi pelo ralo do banheiro, e percebi que nessa situação era preciso um ser mais humano do que uma professorinha que detecta erros gramaticais. Não havia erros ortográficos naquela redação que eu pudesse enxergar, nem tão pouco, pleonasmo, eco, queismo, cacofonia. A única incoerência que percebi foi a maldade daquele pai.
O meu questionamento é:
Até que ponto os currículos presentes nos cursos de graduação compreendem esses problemas? Quanta fragilidade ainda temos para enfrentar situações limite!
Se existem fórmulas para o tecnicismo, hão de existir soluções para o intersubjetivo. A formação técnica pressupõe também a subjetividade. Quando foi que nós pagamos alguma disciplina chamada “educação e alteridade I e II”, “educação emocional I e II ”, “ autogestão I e II”, “ epistemologia do outro e do eu I, II, III e IV” ? Aprendemos “Política nacional da educação básica”,“ Educação e gestão”, “ Filosofia I e II” “ Epistemologia da educação”, etc. Esses conteúdos são importantes para nos conferir status de doutores, mestres, nos proporcionam bens materiais, cartões de crédito, uma profissão, viagens, criticidade, saberes formais, técnicos, enfim.
Por qual motivo nunca aprendemos no primário, hoje educação infantil, a matemática da relação humana, ou história do amor, gramática da boa vontade, geografia do servir? Já que isso é tão inerente ao ser humano?!
As leis educacionais estão muito mais preocupadas com o contexto histórico-social do aluno, com a estrutura, currículos, gestões, evasão escolar, entretanto, nenhum parágrafo voltado para garantir os reparos emocionais que os nossos alunos vivem. Precisamos rever essas leis para que os currículos dos cursos superiores construam práticas para nos ajudar a resolver essas pluralidades.
Finalmente, corrigi as redações, chamei a menina que produzira o texto e pedi sua autorização para ler sua vida em voz alta. Ela aceitou, então pedi atenção dos alunos, disfarcei novamente lendo uma ou outra redação e cheguei “àquela”. A turma silenciou ouvindo atentamente. Após o término da leitura, comovidos, solidarizaram-se com a menina e abraçaram-na chorando, dizendo que ali, em sala de aula, tinha uma família com a qual ela podia contar para sempre. E eu falei: gostaria de ser sua mãe para acabar com essa tristeza do seu rosto, porém como não posso, aqui existe uma professora-amiga.
Eis o lado oculto das salas de aula.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quanto custa sua Educação?



          Educar para emancipar os seres humanos, bem como tentar resgatar aqueles sem identidade social, talvez, seja uma utopia em nossa realidade educacional. Reconhecer o outro na sua integridade e respeitá-lo custa caro! Grandes pensadores do âmbito educacional, mais precisamente aqueles que vieram da Escola de Frankfurt, como Marcuse, Adorno, Dewey, Horkheimer, Paulo Freire, entre outros, tiveram uma trabalheira grande para compreender que a educação custa um preço altíssimo para aqueles que estão à margem da sociedade. É plausível tal estudo, no descobrir da autonomia e desenvoltura do ser humano, e também para denunciar a ganância e a estupidez daqueles que fizeram da educação uma mercadoria cara, quase inacessível. 
          O desabafo vem goela abaixo para denunciar que a educação se resume a tudo aquilo que custa caro: material escolar, livros didáticos (muitas vezes sem conteúdos relevantes para a promoção de um cidadão crítico), mensalidades escolares, fardamento e tudo aquilo que possa deformar o ser humano em quantias. As escolas de hoje são carregadas de contradições porque ao invés de emancipar, formatam os seus alunos para que eles estejam sempre aptos a atender a uma classe privilegiada; e o pior é que eles são treinados, “adestrados”, sem perceber que a grande maioria dificilmente atingirá o tão sonhado "lugar ao sol". 
          Lamentavelmente, a concepção de uma educação moderna, atual, parte do princípio capitalista, onde muitos só têm acesso porque fazem parte da mais alta camada social. E o restante, que faz parte da camada desprivilegiada, fica feito zumbi, "cambaleando" pelos pátios de uma escola pública, buscando ser "alguém" na vida (como se já não fosse gente), com muito sacrifício. 
          Os gestores da nação pouco se importam com a situação em que se encontram os brasileiros, pois jamais querem que o “povão” possua discernimento, criticidade, para ir além dos ditames sociais e quebrá-los. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira), por exemplo, passou anos e anos para ser discutida, aprovada e praticada; o que nos confirma a (des) atenção que dão esses políticos à questão educacional e social. O meu processo educativo, o seu, e o de todos aqueles que se sacrificaram para ter dignidade na vida através da educação, passou por inúmeras dificuldades, sobretudo quando nossos pais, muitas vezes, não podiam pagar as mensalidades em dia porque tinham de optar entre fazer a feira e pagar a escola. Eis uma grande deficiência do conceito sobre educação em nosso país! 
          A verdadeira educação não foi aquela que aprendi nas escolas, nem tampouco em sala de aula com professores tradicionais, que buscavam sempre enquadrar seus alunos para que eles fossem considerados bons, educados, “quadradinhos”, prontos para enfrentar um mercado concorrido, deixando de lado o que de fato realmente importa: a dignidade e a valorização das relações humanas, o respeito entre os cidadãos, o reconhecimento de si e do outro enquanto sujeito ativo de sua própria história. Aprendi a duras penas que a educação transcende esse mundinho escolar que prepara o aluno para o vestibular, entupindo-lhe de informações, das quais possuem conhecimento superficial; porque não aprenderam a questionar e a reconhecer seu valor enquanto indivíduo. Penso que esse processo seja retrógrado, um processo desqualificador de seres humanos, um processo superficial, em que a visão é limitada e destruidora. Procuro entender a educação a partir do dever e do direito que cada um tem, uma educação que deseja reconhecer as pessoas como sujeitos transformadores e construtores de conceitos, e não apenas como objetos passivos e ignorantes de sua condição.
          A minha educação custou caro demais para se resumir a um "be-a-bá"  sem consistência, reproduzido por nossos professores; e que de tão superficial, esqueci há muitos anos; por isso é deveras importante que nós possamos despertar e atentar para uma educação global, uma educação holística que envolva não apenas as escolas, mas a família, as comunidades e todo meio social em que vivemos. É por meio da educação verdadeira que nós vamos fazer uma revolução social, onde as pessoas se respeitem e se valorizem, reconhecendo sua função e emancipando-se para que aconteça o bem comum.

Andressa Fabião

sábado, 30 de janeiro de 2010

Enasaio breve e mal feito sobre o amor

Se a beleza não fosse tão efemêra, a hipocrisia com a qual lhe damos todos os dias não seria tão evidente. As pessoas esqueceram de amar verdadeiramente... não falo do amor descartável, nem tão pouco do amor morderno, onde as pessoas se vendem a preço de custo... Tento resgatar e me iludir do amor que trasncende a física, a pele... falo do amor endógeno que motiva qualquer manifestação da carne, do prazer lacônico, enfatizo o combustível que movimenta o sentimento e não a combustão, nem tão pouco a queima que explode em poucos segundos. Sexo jamais pode ser o objetivo do amor e, talvez, seja por isso que as pessoas amam descartavelmente, ele é um dos ramos que se associa ao sentimemento supremo, é uma das partes e não pode ser jamais o todo. Vivemos numa grande crise afetiva porque as pessoas se tornaram emplastificadas sentimentalmente, forjaram uma beleza exterior,que muitos confundem com a essência da alma, e termina sendo relevante apenas para a atração física, pois esqueceram do sentir internamente, priorizando uma beleza que em menos de quinze dias se desconfigura e enjoa. Quero relembrar do amor que acompanha, que rega, que afaga e ama. Quero lembrar do sentimento que se abstém, do momento de reapaixonamento... esse sim valida e lacra as relações humanas. Falo do sentimento que motiva, reafirmando e aproximando os seres. Esse sim, deve ser resgatado, urgentemente, para que nós sintamos a real presença das pessoas em nossas vidas e não apenas a sombra da alma que passou sem nos absolver completamente. Eis a riqueza da percepção, habilidade e da sensibilidade!
Andressa Fabião

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Poesia em branco


O vazio me fez encher os olhos de lágrimas O branco me fez sentir em paz O zero pode ser um ponto de partida O nada não é tudo, mas pode ser algo O tudo, às vezes, é nada... O ermo me faz pensar em branco O vazio é um vazo sem flor O zero nunca poderá ser negativo, nem tão pouco positivo Pouco é nada perto do tudo pouco é muito pro nada Nada pode ser pelo menos algo... Um menos um pode ser um... Um verso branco é sem rima E eu sem você é como se fosse uma sina.

Andressa Fabião

6 VERSOS PARA UM ÍNTIMO


Viver o momento e sentir os prazereS

Inconsciente ou consciente da alegriA


Outra poesia, outra música, outro bilhete, outras fotos e álbuM


Longe do real, perto do céU


A regra é se permitir e viver o nobrE


enquanto existe o meL.



Andressa Fabião