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terça-feira, 30 de novembro de 2010

VERSO E PROSA


Músicas
dezenas de outras músicas eu cantaria pra você
versos
milhares de palavras,
em verso e prosa pra dizer
que tudo é tão incerto
amigos sempre perto fica mais fácil
nascendo e morrendo, nosso amor crescendo...
Mágico
místico raiar do sol
que é pai da luz que brilha em você
natural
amor demais, um leva-e-traz de dor, eterno
e nada pode desfazer
se tudo é complicado, amigos lado a lado
fica mais fácil
nascendo e morrendo, nosso amor crescendo
e isso não passará...

Nem que cessassem todos os telefonemas
e esquecêssemos todos os poemas
ficassem mudos todos os fonemas
mesmo que não fôssemos ao cinema
e se amar também não mais valesse a pena
ainda assim haveria um jeito
de expressar o meu carinho por você

(Ricardo Fabião)

A letra dessa música é fantástica, por isso quero fazer uma homenagem à inteligência, à criatividade e à precisão com a qual Ricardo Fabião se utilizou das palavras para definir a necessidade que nós temos de demonstrar ao outro carinho, mesmo com todos os problemas inevitáveis de uma relação a dois.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Ensaio sobre a cegueira ou Hospital Edson Ramalho?


Ao visitar o hospital Edson Ramalho, imediatamente meus neurônios remeteram ao prêmio Nobel concedido ao livro Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago. A quantidade de pessoas que "cegavam", e se entulhavam naquele hospital em busca de um medicamento ou atendimento médico, era exorbitante.
Recepcionistas, médicos, enfermeiros pareciam voluntários que surgiram do inferno para piorar a situação do seres humanos doentes que ali estavam. O despreparo, a má vontade, a cara feia e a ignorância eram ferramentas que ornamentavam as almas daqueles profissionais. Olhei para o corredor e vi de perto o caso de um jovem que estava prestes a desmaiar pedindo socorro aos pseudos profissionais, que juraram “honra ao mérito” de sua profissão. Fizeram vista grossa, até o momento em que esse jovem de camisa preta, num desmaio, caiu por cima de outros tantos mil enfermos que ali presenciavam a desagradável cena, foi nesse momento que os enfermeiros entenderam que havia necessidade de socorrê-lo. A resposta  do doente surgiu orgânica e desesperadamente através de um vômito vindo da alma que parecia arrancar-lhe a garganta com restos de comida espalhados pelo chão.
No corredor da emergência, pessoas empilhadas faziam parte de um “auto-atendimento”, cada um que procurasse seu medicamento, que esticasse seu  braço para ser furado pela siringa e conseguir fazer seu hemograma; o pior de tudo era que cada paciente tinha de arranjar com a enfermeira, um adesivo para identificá-lo no frasquinho de sangue para não misturar seu sangue com o dos outros.
 Mal estar, tornou-se apenas um pequeno detalhe frente à imundice e o descuido que se tornou aquele corredor quase da morte. Nesse momento, pude chorar com um profundo aperto no peito, e chorei. Observei de perto o inferno que ali se instalara, logo percebi que a cartilha escrita, em 1948 pela ONU, que fundamenta todos os Direitos Humanos não passava de anedotas de mal gosto. Chorei novamente, e dei graças a Deus por ter “cegado” naquele momento; por não conseguir enxergar mais as atrocidades cometidas por cada indivíduo fantasiado de jaleco. Chorei ao perceber que a saúde do ser humano não é nada mediante àqueles médicos brancos, cheirosos e estúpidos.
A cegueira tão bem definida por Saramago saiu de uma possível ficção e tornou-se a mais verossímil realidade aqui bem pertinho de nós. Foi uma crítica muito precisa que definiu bem a realidade que nos encontramos. Cegamos para muitas situações das nossas vidas e não queremos mais voltar a enxergar o outro com os olhos da ética, da alteridade. Isso me fez pensar, como dizia Saramago em sua obra, que nós, enquanto seres “civilizadodos”, não somos constituídos apenas de bondade. Somos providos de maldade também, e para demonstrar isso, basta entrarmos num estado de calamidade para encorporarmos a corrupção e a incivilidade e nos encontramos num estado primitivo igual ao dos nossos antepassados.
É mister que este e outros hospitais paraibanos desenvolvam junto à nova secretaria de saúde do Estado e outros órgão responsáveis, uma pedagogia mais humana, mais técnica, mais eficiente para que os profissionais da saúde trabalhem com motivação em detrimento da saúde alheia; para que  garantam os preceitos básicos, como a saúde, que estão escritos claramente na nossa velha e tão atual Constituição Brasileira. Se faz necessário voltar os olhos para si mesmo e perceber o quão carecemos de atitudes incisivas, que determinem o bem estar para todos. Além disso, é preciso dar um “F5” e atualizar as pessoas que estão nesse ramo da saúde, tão delicado e essencial à humanidade.

Desirèe Andressa Fabião