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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Quanto custa sua Educação?



          Educar para emancipar os seres humanos, bem como tentar resgatar aqueles sem identidade social, talvez, seja uma utopia em nossa realidade educacional. Reconhecer o outro na sua integridade e respeitá-lo custa caro! Grandes pensadores do âmbito educacional, mais precisamente aqueles que vieram da Escola de Frankfurt, como Marcuse, Adorno, Dewey, Horkheimer, Paulo Freire, entre outros, tiveram uma trabalheira grande para compreender que a educação custa um preço altíssimo para aqueles que estão à margem da sociedade. É plausível tal estudo, no descobrir da autonomia e desenvoltura do ser humano, e também para denunciar a ganância e a estupidez daqueles que fizeram da educação uma mercadoria cara, quase inacessível. 
          O desabafo vem goela abaixo para denunciar que a educação se resume a tudo aquilo que custa caro: material escolar, livros didáticos (muitas vezes sem conteúdos relevantes para a promoção de um cidadão crítico), mensalidades escolares, fardamento e tudo aquilo que possa deformar o ser humano em quantias. As escolas de hoje são carregadas de contradições porque ao invés de emancipar, formatam os seus alunos para que eles estejam sempre aptos a atender a uma classe privilegiada; e o pior é que eles são treinados, “adestrados”, sem perceber que a grande maioria dificilmente atingirá o tão sonhado "lugar ao sol". 
          Lamentavelmente, a concepção de uma educação moderna, atual, parte do princípio capitalista, onde muitos só têm acesso porque fazem parte da mais alta camada social. E o restante, que faz parte da camada desprivilegiada, fica feito zumbi, "cambaleando" pelos pátios de uma escola pública, buscando ser "alguém" na vida (como se já não fosse gente), com muito sacrifício. 
          Os gestores da nação pouco se importam com a situação em que se encontram os brasileiros, pois jamais querem que o “povão” possua discernimento, criticidade, para ir além dos ditames sociais e quebrá-los. A LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira), por exemplo, passou anos e anos para ser discutida, aprovada e praticada; o que nos confirma a (des) atenção que dão esses políticos à questão educacional e social. O meu processo educativo, o seu, e o de todos aqueles que se sacrificaram para ter dignidade na vida através da educação, passou por inúmeras dificuldades, sobretudo quando nossos pais, muitas vezes, não podiam pagar as mensalidades em dia porque tinham de optar entre fazer a feira e pagar a escola. Eis uma grande deficiência do conceito sobre educação em nosso país! 
          A verdadeira educação não foi aquela que aprendi nas escolas, nem tampouco em sala de aula com professores tradicionais, que buscavam sempre enquadrar seus alunos para que eles fossem considerados bons, educados, “quadradinhos”, prontos para enfrentar um mercado concorrido, deixando de lado o que de fato realmente importa: a dignidade e a valorização das relações humanas, o respeito entre os cidadãos, o reconhecimento de si e do outro enquanto sujeito ativo de sua própria história. Aprendi a duras penas que a educação transcende esse mundinho escolar que prepara o aluno para o vestibular, entupindo-lhe de informações, das quais possuem conhecimento superficial; porque não aprenderam a questionar e a reconhecer seu valor enquanto indivíduo. Penso que esse processo seja retrógrado, um processo desqualificador de seres humanos, um processo superficial, em que a visão é limitada e destruidora. Procuro entender a educação a partir do dever e do direito que cada um tem, uma educação que deseja reconhecer as pessoas como sujeitos transformadores e construtores de conceitos, e não apenas como objetos passivos e ignorantes de sua condição.
          A minha educação custou caro demais para se resumir a um "be-a-bá"  sem consistência, reproduzido por nossos professores; e que de tão superficial, esqueci há muitos anos; por isso é deveras importante que nós possamos despertar e atentar para uma educação global, uma educação holística que envolva não apenas as escolas, mas a família, as comunidades e todo meio social em que vivemos. É por meio da educação verdadeira que nós vamos fazer uma revolução social, onde as pessoas se respeitem e se valorizem, reconhecendo sua função e emancipando-se para que aconteça o bem comum.

Andressa Fabião