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sexta-feira, 22 de julho de 2011

Consumismo






...

O quê?!
não vi.
ãh?!
sim, aquele?
Aaah!
 comprei.

...




Andressa Fabião

domingo, 17 de julho de 2011

Muita pressa nessa hora.


É. Foi rápido assim: primeira sexta-feira de maio nas últimas horas do dia. A lua parecia inerte naquele céu chapriscado de estrelas. kate estava numa dessas janelas que a levavam para o outro lado do mundo, e sem muitas pretensões com aquele bate-papo, saiu fuçando para ver a vida alheia contida no planisfério virtual; foto por foto, status de relacionamento, comunidades que revelavam facilmente um “eu” que até então era desconhecido; observou postagens, comentários para entender aquele outro planeta que encontrava-se sentado em algum lugar da cidade. Percebeu que por aquelas fibras ópticas tantos caminhos se encurtavam para se chegar mais rápido num lugar mágico, tantas informações estavam disponíveis, simples como um click que despertou o desejo do sim. Encontraram-se naquela mesma noite. E por que não? o mundo virtual, quando transcende para a vida real, exige a mesma rapidez para viver as intensidades das emoções.
Era um bar que ficava próximo à praia, aconchegante, luz baixa e amarela quase uma carícia sobre quem ali estava. Não mais que de repente, numa mesa de canto, vestido de humano, não mais de pontos luminosos, estava sentado cheio de charme; algo em torno de um metro e noventa de altura, camisa azul escura, calça jeans e uns óculos de grau que, até as horas que são, não conseguiram convencê-la de que ali havia um ser fechado, metido a intelectual. A seriedade ou a chatice de Peter não estava em jogo por causa de um acessório, mas nenhuma virtude dele se escondia de Kate, exatamente pela intimidade que eles adquiriram rapidamente através de uma sensação mútua de terem se conhecido bem antes, em alguma vida passada. Parece que ela enxergava por trás daquelas lentes um menino extremamente brincalhão, de bem com os hormônios, de bom humor, embora os percalços da vida o transformaram em homem antes do tempo. Ele era conhecido vulgarmente como “Peter”. Tomaram alguns drinks e viveram conversas felizes; expressões que em alguns minutos de bate-papo se traduziram numa eternidade com fim. 
Os dias seguintes foram vividos como algo indissolúvel, tudo muito mágico, sobretudo as trepadas que os configuravam como bichos desejantes, encantadores, havia brilho nas coisas mais idiotas e o tempo vivia com pressa. Eles também, só que essa ligeireza não era a de um tempo cronológico, era uma agonia de querer gastar toda a paixão desmesuradamente que nascera tão de pressa, e como toda pressa de viver se traduz em imperfeição no decorrer da ansiedade, Peter desacelerou toda a eternidade que eles haviam construído, sem motivos convincentes resolveu acabar tudo como uma camisa que se diz ao avesso. Kate procurou compreender através de mil psicologias a metamorfose inversa de uma borboleta que voltou a ser pupa; não conseguia se convencer, preferiu a matemática e encontrou uma saída: o que não teria solução estava completamente resolvido. Decidiu viver a outra parte da felicidade que lhe restava; foi embora e percebeu que tudo não passou de uma perfeição que se tornou inimiga da pressa. Após algum tempo, Kate agradeceu encarecidamente a Peter o bem que ele fez para ela, ao decidir tudo sozinho. 
No dia seguinte, a vida apareceu "verdinha" totalmente online.

Andressa Fabião

segunda-feira, 11 de julho de 2011

a- Luno



(Para meus alunos guerreiros.)


Nada de a-Luno!
Nada de ser sem luz!

Todos são assim: 
Quando não são guardas do sol
São lâmpadas acesas

Quero todos  assim:
Para mim
Por mim
Perto de mim.

Sou de vocês
Assim como vocês me são
Não sou professora
Só sou amadora do que vocês me dão

Quantos me levam de mim para si
Quantos se dão de si para mim
Quantos somos "nós"?

Não sei.
Só sei da saudade daqueles
Que buscaram em mim e encontraram
O que já tinham  de luz em si.


Andressa Fabião